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segunda-feira, agosto 30, 2004

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terça-feira, agosto 03, 2004

Fire!

Ainda na linha do que o Homem do Tambor escreveu, convém pensar um pouco sobre a questão dos incêndios. Depois de tudo ter voltado a arder, todos atiram as culpas uns aos outros. Ora, se formos a ver, a culpa é de todos e divide-se em 3 níveis.
1. O Governo. Já o ano passado, quando pensámos não haveria fogos mais trágicos que os que se sucederam pelo país fora, pensou-se que o governo dos caceteiros de direita ainda fizessem que, pelo menos legalmente, a prevenção e o combate corressem melhor. Chegamos ao início do verão, e os diplomas ainda não estavam aprovados, deixando-nos mais um verão à mercê do fogo. Será que com o dinheiro dos já míticos submarinos, não poderíamos comprar 3 aviões Canadair? Ou será que os submarinos vão esguichar água para os montes em chamas? Porquê recusar a ajuda estrangeira, mesmo que ela representa um custo adicional? É melhor deixar arder a mata? E já agora, pode parecer sacrilégio para alguns, mas não querendo ainda assim generalizar, há muitos bombeiros que não deram o seu melhor no combate aos fogos, havendo muitos a deixar arder (e a TV mostrou-o). A fama de que os bombeiros são uns "relaxados" precede-os...
2. As Câmaras Municipais. Muito pedem ao Governo, mas em tarefas que podem aproveitar o seu pessoal operário sem grande prejuízo para a casa, e requerendo só um ou dois veículos automóveis, simplesmente não fazem. Porque é que, nem que fosse só em terrenos pertença do município, não se limpa o mato, as bermas e afins? É natural que alguns autarcas pareçam algo hipócritas quando confrontados com os holofotes da TV nos momentos de tragédia...
3. O resto da malta. E chegamos até nós, o terceiro estado. Tal como no dealbar da Revolução Francesa, o terceiro estado dividia-se em dois grupos: burguesia e povo. Assim, poderemos dividir a culpa (com as devidas percentagens, claro). A burguesia silvicultora muito barafusta pelo tragédia que a assolou, mas nunca ouvi de um grande silvicultor que fosse que dissesse que andava a apostar na limpeza dos seus terrenos (vi antes clubes de praticantes de TT a limpar as estradas por onde passam...), sendo que muitos neles não é por falta de dinheiro, já que têm o seu jipito e barquito da praxe... Junte-se a isto as indústrias da pasta de papel (cujo advogado é agora ministro do ambiente...) que aproveitam os fogos para comprar madeira com um preço mais baixo (será que alguma intencionalidade nisto tudo?). Depois, viemos nós, o povo, que pura e simplesmente, deveríamos estar imbuídos do velho espírito de Abril, que ao menos assim uníamo-nos e partiríamos nós para limpeza desses matos (e porque não okupar alguns terrenos de silvicultores que só ando nisso por mero e vil dinheiro?)